Coisas de Pais
Os pais têm sempre Coisas para contar. Coisas que fazem sorrir, arrepiar, às vezes arrancar cabelos, outras dar beijinhos até não haver bochechas... Ser pai é ser tanta Coisa, que por mais Coisas de pais que escreva, haverá sempre tanta Coisa por dizer...
Segunda-feira, Março 19, 2012
Coisas de Férias da Páscoa
A fechar, a fechar, a fechar, a fechar.
Sinto-me uma formiguinha nos seus últimos dias antes do Inverno. Que, quando se é mãe, se tem uma profissão liberal e um escritório em casa, se chama "Férias dos Filhos"!
Um delicioso "Inverno" de 2 semanas que está mesmo aí à porta... Vou mas é trabalhar!
Sexta-feira, Março 16, 2012
Coisas de Um contra o Outro
Quase 8 horas da noite. Depois de uma semana de testes, fui buscar o Afonso ao último da semana. Guitarra. Muito Bom! Foi uma semana cansativa para ele, e isso notava-se no cansaço escondido nas olheiras, a pedir um fim-de-semana sem horários e correrias (como se isso fosse possível...).
Pus uma música mais suave, para relaxarmos, mas ele pediu o "Um contra o Outro", a música dos Deolinda que ele sabia que eu gostava.
- Eu canto contigo, mami!
E a música, com toda a sua energia, contagiou-nos, mandou o nosso cansaço pela janela, e fez-nos gritar a plenos pulmões: Sai de casa e vem comigo para a rua/ Vem, que essa vida que tens/ Por mais vidas que tu ganhes/ É a tua que mais perde se não vens.
Já na nossa rua, o Afonso tirou o cinto, veio para a frente e cantou comigo, a esbracejar, como se estivesse num concerto. A chuva caía do lado de fora e os dois ali, a ver quem berrava mais alto, estávamos felizes como nunca. E, quando a música acabou e a mãe desligou o carro, o Afonso respirou fundo e disse:
- Foi bom, mãe. Hoje até o limpa-vidros dançou...
Coisas de Bochechas rechonchudas
Depois de lermos o livro "Sou Especial porque sou Eu", resolvi perguntar ao Afonso (8) e ao Sebastião (6) se eles gostavam do que viam, quando se viam ao espelho.
O Afonso, com a sua auto-confiança ao rubro, disse logo que sim. E o que ele adora ver-se ao espelho e fazer caretas e danças, imaginando coisas que eu às vezes nem me atrevo a perguntar o que são!
O Sebastião, que também nunca é de se queixar, surpreendeu-me no entanto com um "mais ou menos".
- Mais ou menos? Então o que é que gostas menos? - questionei.
E arrependi-me logo da pergunta, porque me lembrei das suas orelhinhas saídas, lindas de morrer mas muito abertas ao mundo, para ouvir tudo o que se passa à sua volta. E pensei para comigo que tinha chegado aquela altura dos complexos, ou porque os amigos gozavam, ou porque ele próprio se sentia diferente... Mas nada disso! A mãe estava a ver o problema no lado errado do seu rosto:
- Não gosto das minhas bochechas. São muito gorduchas...
E eu ri. Ri a bom rir e lembrei-me de tudo o que eu passava quando a família e os amigos me apertavam as bochechas. Também eu as tinha rechonchudas. E também eu não gostava delas. E a minha mãe dizia-me:
- A mãe também tinha bochechas. Mas desapareceram com a idade.
E ontem fui eu que disse ao meu filho, já com umas valentes rugas no lugar das bochechas:
- A mãe também tinha bochechas. Mas desapareceram com a idade.
E o coitado do Sebastião foi ver-se ao espelho, e imaginar-se trintão, já com as bochechas mirradas, tal como eu fazia na idade dele.
A verdade é que não há muito a fazer, meu filho. Para as orelhas, ainda há conserto. As bochechas... são nossas e são lindas! É aproveitá-las enquanto elas duram...
Domingo, Março 11, 2012
Coisas de Cuca
O Dudu (2 anos) passeou hoje pela primeira vez a nossa Cuca, uma linda cadelinha Beagle que sofre de desatenção, nesta família, coitadinha. Mas hoje teve uma hora cheia de atenções, com o Dudu a puxá-la pela trela, muito satisfeito. E ai de quem lhe tentasse tirar a trela!
Foram muitos os momentos hilariantes, entre quedas, embrulhanços e gritos histéricos (da Nonô, a medrosa), mas gostei particularmente quando o Dudu puxou a trela com força e a Cuca, meia enrolada nela, tossicou aflita. E o Dudu sai-se com esta, continuando a puxar, indiferente:
- "Shantinho", Cuca...
Coisas de Estudo do Meio
Voltámos aos testes. Help! Português, Matemática e Estudo do Meio. Nem quero pensar no que vai ser quando chegarem ao segundo e terceiro ciclo!!! Ando a tentar que os mais velhos comecem a estudar sozinhos, mas, segundo eles, sabem sempre tudo, lêem uma vez e são peritos no assunto. Mas quando a mãe pergunta... "Ah, pois... isso não sei, não sei bem explicar, essa escapou-me..."
Então lá foi a mãe rever os rios e os distritos, os relevos e os pontos cardeais... (com tanta coisa que tenho para fazer!)
- Lê outra vez, Afonso. Faz outra vez, Afonso. (o Sebastião já tinha sido dispensado, depois de meia dúzia de ditados)
Mas estudar assim é uma seca! Essa é que é essa! Por isso, antes de desesperar de vez (e ele comigo), resolvi puxar pela cabeça. Fui buscar uma folha branca e desenhei um Portugal jeitoso. Depois fui buscar uns mapas e pedi ao Afonso que desenhasse no jeitoso do Portugal tudo aquilo que via de interessante. Um rio aqui, uma cidade ali, uma montanha acolá. E consegui que ele ficasse uma hora inteirinha de volta daquilo, de língua de fora, todo contente, a construir o seu país à sua maneira.
E não é que, depois disso, quando lhe fiz as mesmas perguntas que tinha feito antes, ele já sabia as respostas? Não sei que resultados vai ter no teste, mas que foi bem mais interessante (e tranquilo!) para nós, isso foi!
Coisas de soluções radicais
O pai é perito em soluções radicais. Enquanto a mãe vai atrás das psicologias e das filosofias, das histórias e das explicações infinitas, o pai diz três palavras e resolve o assunto. Acho que é para isso que os pais servem (entre outras coisas). As mães rodeiam, os pais atacam. O equilíbrio perfeito, sendo possível.
E assim o pai resolveu o assunto do "papi" e "mami" cá em casa, que ninguém percebeu de onde vinha:
- Se me voltares a chamar "papi", começo a chamar-te "princesa", Afonso...
E pronto. Não é que agora já somos "pai" e "mãe" outra vez?
Sábado, Março 10, 2012
Coisas de Teimosia
Nonô, 2 anos, a descer as escadas:
(Nonô) 1, 2, 3, 4, 5, 6, 9...
(Mãe) Não, Nonô. A seguir ao 6 vem o 7. 6, 7, 8...
(Nonô parada no degrau) Não, este é o 9. (desce mais um) Este é o 7, 8.
E pronto. Até para contar a porcaria das escadas, tem de ser como ela quer! Isto promete...
(Nonô) 1, 2, 3, 4, 5, 6, 9...
(Mãe) Não, Nonô. A seguir ao 6 vem o 7. 6, 7, 8...
(Nonô parada no degrau) Não, este é o 9. (desce mais um) Este é o 7, 8.
E pronto. Até para contar a porcaria das escadas, tem de ser como ela quer! Isto promete...
Coisas de fato de treino
(Dudu, 2 anos, chega a casa da escola. A mãe está de fato de treino, porque ainda acha que vai ter tempo para dar uma corridinha... a mãe é uma sonhadora!)
(Dudu olha a mãe, desagradado) Mamã, o que é "ito"?
(Mãe) O quê, filho?
(Dudu aponta para o fato de treino) "Ito".
(Mãe) O fato de treino, filho?!
(Dudu) Sim. Tira, mamã. Dudu não g'ota. Mamã feia.
Tudo bem, meu filho. Amanhã, enquanto estiveres na escola, a mamã vai ao ginásio e ao SPA, depois vai ao cabeleireiro, vai maquilhar-se e pôr o vestido de noite. E quando chegares vai estar linda para te receber, sem outro sonho que não seja agradar-te. (e depois acordamos os dois, ok?)
(Dudu olha a mãe, desagradado) Mamã, o que é "ito"?
(Mãe) O quê, filho?
(Dudu aponta para o fato de treino) "Ito".
(Mãe) O fato de treino, filho?!
(Dudu) Sim. Tira, mamã. Dudu não g'ota. Mamã feia.
Tudo bem, meu filho. Amanhã, enquanto estiveres na escola, a mamã vai ao ginásio e ao SPA, depois vai ao cabeleireiro, vai maquilhar-se e pôr o vestido de noite. E quando chegares vai estar linda para te receber, sem outro sonho que não seja agradar-te. (e depois acordamos os dois, ok?)
Sexta-feira, Março 09, 2012
Coisas de êxtase musical
(a ouvir "Um contra o Outro", Deolinda. Mãe ao volante, Afonso e Sebastião nos bancos de trás):
(Mãe) Meninos, quando ouvem esta música não ficam cheiiiinhos de energia?
(Afonso e Sebastião olham-se, sem entender. Mãe observa-os pelo retrovisor)
(Mãe) Não ficam com vontade de saltar e pular e dançar e cantar?
(Afonso e Sebastião olham-se novamente, agora com expressões preocupadas)
(Sebastião) Do que é que estás a falar?
(Afonso) Eu fico com vontade de cantar. Mas só isso.
Pronto, ok, ok. Mãe desvia o olhar do retrovisor e pensa para si mesmo que é mesmo a única maluca da família. Mas depois fica com pena dos filhos. E muda para "Como uma Força", Nelly Furtado. Eles entusiasmam-se mais um bocadinho.
(Mãe) E agora, o que é que sentem?
(Afonso) Esta música é boa para ouvir antes dos jogos de Hoquéi.
(Mãe) Ah! Então dá-vos energia...
Mas eu queria mais. E mudei para "Os Filhos da Nação", Quinta do Bill. E o Afonso e Sebastião começaram a bater palmas e a cantar mais ferozmente. E quando, no refrão, substituíram "Que a cruz é salvação" por "Que o Porto é campeão" vi-os verdadeiramente em êxtase. E fiquei mais descansada. É verdade que com outros acordes, é verdade que com motivos "clubísticos", mas pelo menos percebi que os meus filhos conseguem vibrar com alguma coisa... e isso é muito bom!
(Mãe) Meninos, quando ouvem esta música não ficam cheiiiinhos de energia?
(Afonso e Sebastião olham-se, sem entender. Mãe observa-os pelo retrovisor)
(Mãe) Não ficam com vontade de saltar e pular e dançar e cantar?
(Afonso e Sebastião olham-se novamente, agora com expressões preocupadas)
(Sebastião) Do que é que estás a falar?
(Afonso) Eu fico com vontade de cantar. Mas só isso.
Pronto, ok, ok. Mãe desvia o olhar do retrovisor e pensa para si mesmo que é mesmo a única maluca da família. Mas depois fica com pena dos filhos. E muda para "Como uma Força", Nelly Furtado. Eles entusiasmam-se mais um bocadinho.
(Mãe) E agora, o que é que sentem?
(Afonso) Esta música é boa para ouvir antes dos jogos de Hoquéi.
(Mãe) Ah! Então dá-vos energia...
Mas eu queria mais. E mudei para "Os Filhos da Nação", Quinta do Bill. E o Afonso e Sebastião começaram a bater palmas e a cantar mais ferozmente. E quando, no refrão, substituíram "Que a cruz é salvação" por "Que o Porto é campeão" vi-os verdadeiramente em êxtase. E fiquei mais descansada. É verdade que com outros acordes, é verdade que com motivos "clubísticos", mas pelo menos percebi que os meus filhos conseguem vibrar com alguma coisa... e isso é muito bom!
Terça-feira, Março 06, 2012
Coisas de "Escritor Continua"
(Afonso, antes de se deitar)
- Amanhã, na escola, vamos continuar a ler a história da Ervinha Danada.
- Não conheço, Afonso. Quem é o autor?
- Não sei.
- Então amanhã vais ver. Deve aparecer no final do texto, em baixo, à direita.
(Afonso em pausa pensativa)
- Achas que o escritor se pode chamar "Continua"?
(Enfim.......)
- Amanhã, na escola, vamos continuar a ler a história da Ervinha Danada.
- Não conheço, Afonso. Quem é o autor?
- Não sei.
- Então amanhã vais ver. Deve aparecer no final do texto, em baixo, à direita.
(Afonso em pausa pensativa)
- Achas que o escritor se pode chamar "Continua"?
(Enfim.......)
Coisas de 100
Ena! 100 pessoas que vêem este blog??
Jurei a mim mesma que neste dia me penitenciava e vos dizia obrigada por acompanharem a minha saga maternal. É verdade que raramente respondo aos vossos comentários, mas é porque não tenho mesmo tempo e, entre comentar e deixar um novo post, acabo sempre por escolher a segunda opção. Mas gosto muito de vos ter comigo e os meus filhos mais velhos já me perguntam quantos são vocês e o que escreveram sobre os seus disparates. Prometo que, quando eles crescerem mais um bocadinho e derem menos trabalho (daqui a uns 20 anos, portanto, quando este blog já versar sobre os meus netos, e eu já ditar tudo sem precisar de o escrever), eu começo a ser mais "interactiva" e comento os vossos comentários.
Obrigada pela paciência!
Jurei a mim mesma que neste dia me penitenciava e vos dizia obrigada por acompanharem a minha saga maternal. É verdade que raramente respondo aos vossos comentários, mas é porque não tenho mesmo tempo e, entre comentar e deixar um novo post, acabo sempre por escolher a segunda opção. Mas gosto muito de vos ter comigo e os meus filhos mais velhos já me perguntam quantos são vocês e o que escreveram sobre os seus disparates. Prometo que, quando eles crescerem mais um bocadinho e derem menos trabalho (daqui a uns 20 anos, portanto, quando este blog já versar sobre os meus netos, e eu já ditar tudo sem precisar de o escrever), eu começo a ser mais "interactiva" e comento os vossos comentários.
Obrigada pela paciência!
Coisas de "Miaus"
(Nonô, 2 anos, a ver o meu livro "Os Miaus" - adaptação livre de "Os Maias" de Eça de Queirós):
- Olha, a mamã aqui! (foto da contra-capa). E a Nonô? Nonô não há!
- A Nonô pode ser esta gatinha aqui (aponto para a pequena Rosinha - ilustração).
(Nonô olha, muito atenta)
- Não, não "podi". Nonô não tem "ito" (orelhas de gato). Nem bigodes... Nonô quer aqui (e aponta para a contra-capa).
Parece que vamos ter outra escritora na família...
- Olha, a mamã aqui! (foto da contra-capa). E a Nonô? Nonô não há!
- A Nonô pode ser esta gatinha aqui (aponto para a pequena Rosinha - ilustração).
(Nonô olha, muito atenta)
- Não, não "podi". Nonô não tem "ito" (orelhas de gato). Nem bigodes... Nonô quer aqui (e aponta para a contra-capa).
Parece que vamos ter outra escritora na família...
Segunda-feira, Março 05, 2012
Coisas de nomes trocados
(A deitar o Sebastião, filho do meio)
- Vá, Afonso. Rápido!
- Não sou o Afonso, mamã. Sou o Sebastião! Como é que tu, que és a minha própria mãe, te enganas?
(peso, muito peso, na consciência)
- Ó filho, é que vocês são muitos, cá em casa.
- Muitos?! Só somos quatro...
Tem toda a razão, o pequenote. O problema é que a mãe também é "só" uma...
- Vá, Afonso. Rápido!
- Não sou o Afonso, mamã. Sou o Sebastião! Como é que tu, que és a minha própria mãe, te enganas?
(peso, muito peso, na consciência)
- Ó filho, é que vocês são muitos, cá em casa.
- Muitos?! Só somos quatro...
Tem toda a razão, o pequenote. O problema é que a mãe também é "só" uma...
Subscrever:
Mensagens (Atom)